{"id":1187,"date":"2026-06-16T17:50:53","date_gmt":"2026-06-16T20:50:53","guid":{"rendered":"https:\/\/coletivoratazanas.com\/?p=1187"},"modified":"2026-06-16T17:50:53","modified_gmt":"2026-06-16T20:50:53","slug":"flora-e-airto-a-revolucao-continua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/coletivoratazanas.com\/?p=1187","title":{"rendered":"Flora e Airto: a revolu\u00e7\u00e3o continua"},"content":{"rendered":"\n<p>Provavelmente uma das estreias mais importantes desta edi\u00e7\u00e3o do 15\u00ba Olhar de Cinema foi <em>Flora e Airto: O Som Revolucion\u00e1rio<\/em> (2026). O document\u00e1rio retrata Flora Purim e Airto Moreira, m\u00fasicos que ajudaram a revolucionar o jazz na d\u00e9cada de 1970, mas que, por terem desenvolvido grande parte de suas carreiras fora do Brasil, acabam n\u00e3o sendo lembrados por aqui como deveriam.<\/p>\n\n\n\n<p>A sess\u00e3o contou com a presen\u00e7a do diretor Jom Tob Azulay, que possui uma extensa trajet\u00f3ria documentando a m\u00fasica brasileira. Entre seus trabalhos est\u00e3o <em>Elis e Tom: S\u00f3 Podia Ser com Voc\u00ea<\/em> (2022) e <em>Os Doces B\u00e1rbaros<\/em> (1978), registro da emblem\u00e1tica turn\u00ea de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Beth\u00e2nia e Gal Costa. Tamb\u00e9m esteve presente Ricardo Bacelar, diretor musical e \u201cpersonagem\u201d do filme.<br><br>\u00c9 justamente essa dupla que torna o filme poss\u00edvel. Bacelar \u00e9 uma pe\u00e7a fundamental no redescobrimento do casal. Al\u00e9m de dirigir musicalmente o projeto e o novo \u00e1lbum gravado durante o document\u00e1rio, ele atua como uma esp\u00e9cie de mediador entre os artistas e as demandas da produ\u00e7\u00e3o. Afinal, por mais que continuem sendo m\u00fasicos geniais, Flora e Airto tamb\u00e9m enfrentam as adversidades da velhice.<\/p>\n\n\n\n<p>Como contou durante o bate-papo ap\u00f3s a sess\u00e3o, sua fun\u00e7\u00e3o era m\u00faltipla. \u201cEu n\u00e3o estava somente respons\u00e1vel pelo \u00e1lbum, mas tamb\u00e9m pelo almo\u00e7o, pela \u00e1gua, pelos cuidados da equipe, j\u00e1 que o est\u00fadio fica dentro da minha casa e tudo acontecia por l\u00e1\u201d, afirmou.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais do que lidar com a produ\u00e7\u00e3o, Bacelar teve um papel importante no acolhimento dos artistas durante as grava\u00e7\u00f5es. Flora, por exemplo, al\u00e9m de enfrentar uma gripe durante o processo, tamb\u00e9m precisou lidar com quest\u00f5es relacionadas \u00e0 autoestima e \u00e0 cobran\u00e7a de alcan\u00e7ar os mesmos resultados de quando era mais jovem.<\/p>\n\n\n\n<p>Talvez um dos grandes triunfos do document\u00e1rio seja justamente esse. Apresentar esses personagens pelo que s\u00e3o hoje em dia, sem compara\u00e7\u00f5es com o passado. Flora e Airto n\u00e3o s\u00e3o mais os mesmos m\u00fasicos da d\u00e9cada de 1970 que tocaram com Miles Davis ou participaram da trilha sonora de <em>Apocalypse Now<\/em>. Mas isso n\u00e3o os torna menores. Muito pelo contr\u00e1rio. Ver os dois entrarem nas m\u00fasicas com tanta naturalidade, conduzindo arranjos e composi\u00e7\u00f5es com uma fluidez impressionante, j\u00e1 pr\u00f3ximos dos 90 anos, s\u00f3 refor\u00e7a a dimens\u00e3o de seus talentos.<\/p>\n\n\n\n<p>O filme n\u00e3o tenta nos explicar quem s\u00e3o os artistas tim tim por tim tim ou provar que eles ainda s\u00e3o grandes artistas, isso fica evidente em cada ensaio, em cada conversa e em cada apresenta\u00e7\u00e3o registrada pela c\u00e2mera. O que parece interessar a Azulay n\u00e3o \u00e9 a recupera\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria deles, mas o processo criativo desse novo momento. As hist\u00f3rias sobre o passado est\u00e3o presentes, mas servem principalmente para contextualizar a constru\u00e7\u00e3o de um novo trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>Existe algo de <em>Buena Vista Social Club<\/em> em <em>Flora e Airto: O Som Revolucion\u00e1rio<\/em>. Ambos acompanham m\u00fasicos idosos cuja import\u00e2ncia acabou ficando para traz com o avan\u00e7o da idade. Mas enquanto o cl\u00e1ssico de Wim Wenders \u00e9 marcado pela redescoberta de um passado, o document\u00e1rio de Azulay est\u00e1 interessado na cria\u00e7\u00e3o acontecendo agora.<\/p>\n\n\n\n<p>O encontro promovido por Ricardo Bacelar tamb\u00e9m gerou outros trabalhos. Em 2026, ele e Airto Moreira lan\u00e7aram <em>Maracan\u00f3s<\/em>, \u00e1lbum instrumental nascido justamente da conviv\u00eancia e das trocas criativas registradas durante esse per\u00edodo. Flora tamb\u00e9m participa do projeto na faixa <em>Voo da Tarde<\/em>. <\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Provavelmente uma das estreias mais importantes desta edi\u00e7\u00e3o do 15\u00ba Olhar de Cinema foi Flora e Airto: O Som Revolucion\u00e1rio (2026). O document\u00e1rio retrata Flora Purim e Airto Moreira, m\u00fasicos que ajudaram a revolucionar o jazz na d\u00e9cada de 1970, mas que, por terem desenvolvido grande parte de suas carreiras fora do Brasil, acabam n\u00e3o sendo lembrados por aqui como deveriam. A sess\u00e3o contou com a presen\u00e7a do diretor Jom Tob Azulay, que possui uma extensa trajet\u00f3ria documentando a m\u00fasica brasileira. Entre seus trabalhos est\u00e3o Elis e Tom: S\u00f3 Podia Ser com Voc\u00ea (2022) e Os Doces B\u00e1rbaros (1978), registro da emblem\u00e1tica turn\u00ea de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Beth\u00e2nia e Gal Costa. Tamb\u00e9m esteve presente Ricardo Bacelar, diretor musical e \u201cpersonagem\u201d do filme. \u00c9 justamente essa dupla que torna o filme poss\u00edvel. Bacelar \u00e9 uma pe\u00e7a fundamental no redescobrimento do casal. Al\u00e9m de dirigir musicalmente o projeto e o novo \u00e1lbum gravado durante o document\u00e1rio, ele atua como uma esp\u00e9cie de mediador entre os artistas e as demandas da produ\u00e7\u00e3o. Afinal, por mais que continuem sendo m\u00fasicos geniais, Flora e Airto tamb\u00e9m enfrentam as adversidades da velhice. Como contou durante o bate-papo ap\u00f3s a sess\u00e3o, sua fun\u00e7\u00e3o era m\u00faltipla. \u201cEu n\u00e3o estava somente respons\u00e1vel pelo \u00e1lbum, mas tamb\u00e9m pelo almo\u00e7o, pela \u00e1gua, pelos cuidados da equipe, j\u00e1 que o est\u00fadio fica dentro da minha casa e tudo acontecia por l\u00e1\u201d, afirmou. Mais do que lidar com a produ\u00e7\u00e3o, Bacelar teve um papel importante no acolhimento dos artistas durante as grava\u00e7\u00f5es. Flora, por exemplo, al\u00e9m de enfrentar uma gripe durante o processo, tamb\u00e9m precisou lidar com quest\u00f5es relacionadas \u00e0 autoestima e \u00e0 cobran\u00e7a de alcan\u00e7ar os mesmos resultados de quando era mais jovem. Talvez um dos grandes triunfos do document\u00e1rio seja justamente esse. Apresentar esses personagens pelo que s\u00e3o hoje em dia, sem compara\u00e7\u00f5es com o passado. Flora e Airto n\u00e3o s\u00e3o mais os mesmos m\u00fasicos da d\u00e9cada de 1970 que tocaram com Miles Davis ou participaram da trilha sonora de Apocalypse Now. Mas isso n\u00e3o os torna menores. Muito pelo contr\u00e1rio. Ver os dois entrarem nas m\u00fasicas com tanta naturalidade, conduzindo arranjos e composi\u00e7\u00f5es com uma fluidez impressionante, j\u00e1 pr\u00f3ximos dos 90 anos, s\u00f3 refor\u00e7a a dimens\u00e3o de seus talentos. O filme n\u00e3o tenta nos explicar quem s\u00e3o os artistas tim tim por tim tim ou provar que eles ainda s\u00e3o grandes artistas, isso fica evidente em cada ensaio, em cada conversa e em cada apresenta\u00e7\u00e3o registrada pela c\u00e2mera. O que parece interessar a Azulay n\u00e3o \u00e9 a recupera\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria deles, mas o processo criativo desse novo momento. As hist\u00f3rias sobre o passado est\u00e3o presentes, mas servem principalmente para contextualizar a constru\u00e7\u00e3o de um novo trabalho. Existe algo de Buena Vista Social Club em Flora e Airto: O Som Revolucion\u00e1rio. Ambos acompanham m\u00fasicos idosos cuja import\u00e2ncia acabou ficando para traz com o avan\u00e7o da idade. Mas enquanto o cl\u00e1ssico de Wim Wenders \u00e9 marcado pela redescoberta de um passado, o document\u00e1rio de Azulay est\u00e1 interessado na cria\u00e7\u00e3o acontecendo agora. O encontro promovido por Ricardo Bacelar tamb\u00e9m gerou outros trabalhos. Em 2026, ele e Airto Moreira lan\u00e7aram Maracan\u00f3s, \u00e1lbum instrumental nascido justamente da conviv\u00eancia e das trocas criativas registradas durante esse per\u00edodo. 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