{"id":1172,"date":"2026-06-10T12:40:15","date_gmt":"2026-06-10T15:40:15","guid":{"rendered":"https:\/\/coletivoratazanas.com\/?p=1172"},"modified":"2026-06-10T13:03:16","modified_gmt":"2026-06-10T16:03:16","slug":"o-mez-da-grippe-leva-a-linguagem-de-valencio-xavier-para-o-cinema","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/coletivoratazanas.com\/?p=1172","title":{"rendered":"O Mez da Grippe leva a linguagem de Val\u00eancio Xavier para o cinema"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Longa-metragem curitibano adapta o premiado &#8220;O Mez da Grippe&#8221;, de Val\u00eancio Xavier<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O passado est\u00e1 cheio de hist\u00f3rias abandonadas. Antigos jornais, documentos oficiais, filmes perdidos e mem\u00f3rias h\u00e1 muito n\u00e3o recordadas. Val\u00eancio Xavier foi, para Curitiba, um colecionador, ou quem sabe at\u00e9 um acumulador, desses tempos passados. Agora, com a adapta\u00e7\u00e3o de seu livro \u201cO Mez da Grippe\u201d para um longa-metragem, a literatura e o cinema trabalham juntos para resgatar hist\u00f3rias do Paran\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>Estreando na mostra Novos Olhares do 15\u00ba Olhar de Cinema, em Curitiba, o filme dirigido por William Bagioli traz como ponto de partida a adapta\u00e7\u00e3o da obra de mesmo nome. Para quem n\u00e3o conhece o trabalho de Val\u00eancio Xavier, \u00e9 importante entender do que se tratam seus processos para compreender a montagem do filme.<\/p>\n\n\n\n<p>Premiado com o Jabuti em 1999 por \u201cO Mez da Grippe e Outras Hist\u00f3rias\u201d, o livro se destacou pelo seu formato inovador. Xavier desmembra a narrativa tradicional ao contar hist\u00f3rias com recortes de jornais antigos, relat\u00f3rios oficiais, an\u00fancios de revistas, depoimentos de personagens e poesia. O texto e a imagem caminham juntos aqui.<\/p>\n\n\n\n<p>E Bagioli traduz essa mesma linguagem para o audiovisual. O longa n\u00e3o \u00e9 uma adapta\u00e7\u00e3o literal do livro. O filme toma a liberdade de criar dispositivos para dar coer\u00eancia ao novo formato, como na cria\u00e7\u00e3o do personagem por meio do qual vamos acompanhar a grava\u00e7\u00e3o de \u00e1udio: um professor universit\u00e1rio que, frustrado com uma pesquisa encomendada pela universidade, desvia o foco do trabalho para um tema de seu interesse, a gripe espanhola em Curitiba.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir da\u00ed, entre imagens de arquivo e cenas gravadas, acompanhamos os avan\u00e7os dessa pesquisa, que desmembra mem\u00f3rias curitibanas de um tempo que o povo preferiu esquecer.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos pontos mais interessantes do filme s\u00e3o suas imagens de arquivo. Durante o processo de pesquisa para o longa, o diretor descobre a exist\u00eancia de rolos de filmes guardados pelo pr\u00f3prio Val\u00eancio na Cinemateca. Bingo! A solu\u00e7\u00e3o para adaptar a obra est\u00e1 a\u00ed. Do mesmo modo que Val\u00eancio recuperou documentos antigos para a cria\u00e7\u00e3o de sua obra, Bagioli recupera o pr\u00f3prio Val\u00eancio Xavier para a adapta\u00e7\u00e3o.<br><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed aligncenter is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-4-3 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe title=\"1928 - Filme &quot;Pelo Paran\u00e1 Maior&quot; - Curityba sob a n\u00e9ve\" width=\"960\" height=\"720\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/hdnIRbmKyQw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><figcaption class=\"wp-element-caption\">Trecho do document\u00e1rio Pelo Paran\u00e1 Maior.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A pel\u00edcula resgatada era um document\u00e1rio, Pelo Paran\u00e1 Maior (1927), utilizado para a divulga\u00e7\u00e3o do estado e como propaganda da gest\u00e3o do governo de Caetano Munhoz da Rocha naquele per\u00edodo. Assim, enquanto acompanhamos o depoimento do professor e seus avan\u00e7os na pesquisa sobre a gripe, imagens editadas de maneira experimental nos mostram uma Curitiba muito diferente da que conhecemos.<\/p>\n\n\n\n<p>A mescla de formatos dentro do filme \u00e9 interessante e necess\u00e1ria, pensando na obra que se prop\u00f5e adaptar. Algumas das cenas gravadas com atores atualmente n\u00e3o conseguem passar a ideia de que foram gravadas em outra \u00e9poca, mas isso n\u00e3o necessariamente \u00e9 um problema. <br><br>Uma das melhores surpresas que tive ao assistir ao filme foi a presen\u00e7a da artista Maria Paraguaya. Vocalista da nossa querid\u00edssima banda Cigarras, a atriz interpreta um comercial antigo de um maquin\u00e1rio mirabolante para curar problemas respirat\u00f3rios. Na coletiva de imprensa que aconteceu no Cine Passeio, o diretor do filme conta que, para ele, Val\u00eancio foi fundamental para a constru\u00e7\u00e3o de uma Curitiba mais rock\u2019n\u2019roll. Sendo assim, nada mais justo do que ter uma das maiores rockstars da nossa cidade no filme.<\/p>\n\n\n\n<p>Desta forma, O Mez da Grippe dialoga com a linguagem da obra adaptada de maneira muito org\u00e2nica. Em vez de apenas reproduzir a narrativa do livro, o filme incorpora os procedimentos de montagem, colagem e resgate documental do autor. O resultado n\u00e3o \u00e9 apenas uma adapta\u00e7\u00e3o, mas a continuidade de um trabalho de escava\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria da cidade iniciado pelo pr\u00f3prio Val\u00eancio Xavier.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Longa-metragem curitibano adapta o premiado &#8220;O Mez da Grippe&#8221;, de Val\u00eancio Xavier O passado est\u00e1 cheio de hist\u00f3rias abandonadas. Antigos jornais, documentos oficiais, filmes perdidos e mem\u00f3rias h\u00e1 muito n\u00e3o recordadas. Val\u00eancio Xavier foi, para Curitiba, um colecionador, ou quem sabe at\u00e9 um acumulador, desses tempos passados. Agora, com a adapta\u00e7\u00e3o de seu livro \u201cO Mez da Grippe\u201d para um longa-metragem, a literatura e o cinema trabalham juntos para resgatar hist\u00f3rias do Paran\u00e1. Estreando na mostra Novos Olhares do 15\u00ba Olhar de Cinema, em Curitiba, o filme dirigido por William Bagioli traz como ponto de partida a adapta\u00e7\u00e3o da obra de mesmo nome. Para quem n\u00e3o conhece o trabalho de Val\u00eancio Xavier, \u00e9 importante entender do que se tratam seus processos para compreender a montagem do filme. Premiado com o Jabuti em 1999 por \u201cO Mez da Grippe e Outras Hist\u00f3rias\u201d, o livro se destacou pelo seu formato inovador. Xavier desmembra a narrativa tradicional ao contar hist\u00f3rias com recortes de jornais antigos, relat\u00f3rios oficiais, an\u00fancios de revistas, depoimentos de personagens e poesia. O texto e a imagem caminham juntos aqui. E Bagioli traduz essa mesma linguagem para o audiovisual. O longa n\u00e3o \u00e9 uma adapta\u00e7\u00e3o literal do livro. O filme toma a liberdade de criar dispositivos para dar coer\u00eancia ao novo formato, como na cria\u00e7\u00e3o do personagem por meio do qual vamos acompanhar a grava\u00e7\u00e3o de \u00e1udio: um professor universit\u00e1rio que, frustrado com uma pesquisa encomendada pela universidade, desvia o foco do trabalho para um tema de seu interesse, a gripe espanhola em Curitiba. A partir da\u00ed, entre imagens de arquivo e cenas gravadas, acompanhamos os avan\u00e7os dessa pesquisa, que desmembra mem\u00f3rias curitibanas de um tempo que o povo preferiu esquecer. Um dos pontos mais interessantes do filme s\u00e3o suas imagens de arquivo. Durante o processo de pesquisa para o longa, o diretor descobre a exist\u00eancia de rolos de filmes guardados pelo pr\u00f3prio Val\u00eancio na Cinemateca. Bingo! A solu\u00e7\u00e3o para adaptar a obra est\u00e1 a\u00ed. Do mesmo modo que Val\u00eancio recuperou documentos antigos para a cria\u00e7\u00e3o de sua obra, Bagioli recupera o pr\u00f3prio Val\u00eancio Xavier para a adapta\u00e7\u00e3o. A pel\u00edcula resgatada era um document\u00e1rio, Pelo Paran\u00e1 Maior (1927), utilizado para a divulga\u00e7\u00e3o do estado e como propaganda da gest\u00e3o do governo de Caetano Munhoz da Rocha naquele per\u00edodo. Assim, enquanto acompanhamos o depoimento do professor e seus avan\u00e7os na pesquisa sobre a gripe, imagens editadas de maneira experimental nos mostram uma Curitiba muito diferente da que conhecemos. A mescla de formatos dentro do filme \u00e9 interessante e necess\u00e1ria, pensando na obra que se prop\u00f5e adaptar. Algumas das cenas gravadas com atores atualmente n\u00e3o conseguem passar a ideia de que foram gravadas em outra \u00e9poca, mas isso n\u00e3o necessariamente \u00e9 um problema. Uma das melhores surpresas que tive ao assistir ao filme foi a presen\u00e7a da artista Maria Paraguaya. Vocalista da nossa querid\u00edssima banda Cigarras, a atriz interpreta um comercial antigo de um maquin\u00e1rio mirabolante para curar problemas respirat\u00f3rios. Na coletiva de imprensa que aconteceu no Cine Passeio, o diretor do filme conta que, para ele, Val\u00eancio foi fundamental para a constru\u00e7\u00e3o de uma Curitiba mais rock\u2019n\u2019roll. Sendo assim, nada mais justo do que ter uma das maiores rockstars da nossa cidade no filme. Desta forma, O Mez da Grippe dialoga com a linguagem da obra adaptada de maneira muito org\u00e2nica. Em vez de apenas reproduzir a narrativa do livro, o filme incorpora os procedimentos de montagem, colagem e resgate documental do autor. O resultado n\u00e3o \u00e9 apenas uma adapta\u00e7\u00e3o, mas a continuidade de um trabalho de escava\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria da cidade iniciado pelo pr\u00f3prio Val\u00eancio Xavier.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1173,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-1172","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cinema"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/coletivoratazanas.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1172","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/coletivoratazanas.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/coletivoratazanas.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/coletivoratazanas.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/coletivoratazanas.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1172"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/coletivoratazanas.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1172\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1186,"href":"https:\/\/coletivoratazanas.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1172\/revisions\/1186"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/coletivoratazanas.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/1173"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/coletivoratazanas.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1172"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/coletivoratazanas.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1172"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/coletivoratazanas.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1172"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}